Como o modelo americano de ensino superior pode transformar a sua IES?

Sergio Fiuza

Descubra como o modelo americano de ensino superior pode transformar a sua IES e o modo como seus alunos enxergam a instituição de ensino.

 

Após dois anos de estudos, o aluno está insatisfeito.

As suas expectativas tinham sido atendidas pelo curso, mas estavam relacionadas a uma escolha profissional pela qual o aluno já não tem mais interesse, o que o leva a trancar a sua matrícula.

Não é um caso isolado no ensino superior brasileiro.

Segundo o último Censo Brasileiro de Ensino Superior, pouco mais da metade dos alunos matriculados em alguma IES não conseguiram conclui-la.

 

 

Entre os motivos apontados pelo estudo, a mudança de curso ou de escolha profissional é muito recorrente na resposta dos alunos entrevistados.  

Diante dos dados, a lembrança ao modelo americano de ensino superior para IESs tem sido cada vez mais inevitável.

O sistema é conhecido por trabalhar com ciclos básicos de formação durante os primeiros dois anos do ingresso do aluno ao Ensino Superior, que só a partir dessa experiência encontra-se apto a escolher disciplinas que estejam voltadas para a profissão ao longo do processo.

 

modelo americano de ensino superior

 

Dentro das mudanças do mercado de trabalho nos últimos anos, será que não seria o momento para o uso de algumas práticas baseadas no modelo americano para a sua IES?

Neste artigo, veremos:

  • Como funciona o sistema de ensino americano;
  • Desafios para a aplicação do modelo americano na sua IES;
  • Vantagens ao aplicar o modelo americano.

 

Como funciona o sistema de ensino americano

 

No modelo adotado por boa parte das instituições de ensino brasileiras, o aluno se matricula em um curso a partir de suas escolhas profissionais, muitas vezes realizadas assim que conclui o Ensino Médio ou sem que tenha tido algum contato prévio com o mercado.

Já na metodologia adotada pelo sistema americano de ensino, os alunos são matriculados em ciclos básicos, em que os dois primeiros anos de contato consistem em disciplinas ligadas a uma área escolhida pelo aluno, mas com uma visão global e humanística que transitam por conhecimentos de outras áreas.

 

 

A aplicação do modelo americano em instituições de ensino brasileira poderia acontecer por meio da implementação de cursos com propostas curriculares mais abrangentes: bacharelados em humanidades ou em exatas, por exemplo, a partir do qual o aluno pode escolher entre concluir o curso com o diploma no campo escolhido ou continuar a formação com disciplinas voltadas a profissões específicas.

É possível, também, trabalhar com a prática dos ciclos básicos na IES e a oferta de oferecer a conclusão mais avançada do ensino em universidades americanas, a partir de parcerias a serem realizadas entre a IES e a instituição estrangeira.

O modelo americano para o ensino superior já é adotado em algumas instituições de ensino públicas do país, mas ainda encontra alguns desafios para a sua implementação nas IESs particulares.

 

modelo americano de ensino superior

Desafios para a aplicação do modelo americano na sua IES

 

  • Adaptação ao mercado brasileiro

O modelo de ensino brasileiro trabalha com a ideia de que o aluno deve escolher a sua profissão assim que conclui o Ensino Médio, o que pode levá-lo a se matricular em um curso com o qual pode deixar de identificar-se no decorrer dos anos, quando passa a ter contato com o mercado ou vê-se diante de mudanças na área escolhida.

O modelo americano de ensino superior trabalha com a escolha profissional em um momento posterior à entrada na universidade. Isso significa que a IES participa do processo de autoconhecimento do aluno.

Apesar do sistema ser reconhecido em diversas partes do mundo, ele encontra dificuldades de adaptação no cenário brasileiro, em que há o incentivo para uma entrada cada vez mais precoce no mercado de trabalho, na contramão de um método em que o aluno demora dois anos para escolher a profissão que pretende seguir.

No entanto, o mercado já começa a investir em estágios que não exigem uma formação profissional específica, trabalhando com competências encontradas em diversas áreas e que podem ser desenvolvidas nos ciclos básicos do modelo americano de ensino superior, o que pode ajudar alunos que precisem de uma incursão precoce no mercado.   

 

  • O modelo americano exige uma infraestrutura complexa da IES

O ciclo básico proposto pelo método americano parte da premissa de que o aluno deve ter uma formação ampla antes de escolher uma carreira.

Isso significa uma grade curricular que esteja voltada a um campo de conhecimento, mas que saiba dialogar com disciplinas que transitam por outras áreas.

Tal complexidade, muitas vezes, exige que a IES assuma uma série de mudanças no corpo docente e na estrutura da instituição, o que muitas vezes não é possível dependendo do porte da IES e da metodologia já adotada, cujos cursos podem não ser adaptáveis ao modelo americano de ensino superior.

 

  • A metodologia não garante a retenção dos alunos  

Apesar de ter dois anos para conhecer a profissão que deseja seguir, o aluno pode não se adaptar ao modelo americano por possíveis pressões externas: pode não encontrar, por exemplo, um estágio que aceite um diploma mais abrangente enquanto o aluno ainda estiver no ciclo básico da graduação. Ou, em situações em que a IES oferecer uma graduação complementar no exterior após o final do primeiro ciclo, o aluno pode não ter condições para o investimento e sentir-se frustrado para continuar a formação sob essa metodologia.

Por isso, é importante que a IES saiba pensar sobre as ameaças externas à adoção do modelo, investindo em parcerias com empresas que oferecem estágios e alternativas atraentes para alunos que não possam concluir a formação em universidades estrangeiras, mostrando que a opção em concluir na própria IES oferece a mesma quantidade de vantagens para quem puder investir na formação no exterior.

 

 

Vantagens da aplicação do modelo americano para a sua IES

 

  • Incentivo à internacionalização do ensino

A IES pode adotar com a prática de convênios com universidades americanas. Com isso, o aluno pode ter a opção de fazer o curso básico na própria IES, e terminar os estudos em uma faculdade estrangeira, parceira da instituição. O convênio valoriza o candidato do aluno e a reputação da IES.

 

  • Reconhecimento da IES como uma instituição inovadora

Ser uma IES que trabalha com o modelo americano de ensino superior pode trazer uma reputação positiva no mercado de ensino, que enxergará a instituição como uma unidade que investe em inovação e não tem medo de arriscar.

Essa legitimidade pode atrair alunos que estejam em busca de um currículo mais competitivo desde a formação, e vão buscar instituições que ofereçam um diferencial desde o momento da matrícula do aluno.

 

  • Adaptação às novas profissões

Segundo uma pesquisa recente do Laboratório de Aprendizado de Máquina em Finanças e Organizações da Universidade de Brasília, metade dos empregos formais no Brasil vão desaparecer até 2026, graças à robotização.

A notícia pode ser alarmista, mas é importante lembrar que, com o desaparecimento dos empregos tradicionais, novas funções devem aparecer, exigindo uma qualificação maior dos profissionais.

Com o modelo americano de ensino superior, o adiamento da escolha profissional pode levar o aluno a ter um conhecimento maior das possibilidades encontradas no mercado.

Ao mesmo tempo, a proposta do ciclo básico em oferecer uma formação com características transdisciplinares contribui para que o aluno esteja preparado para as novas demandas profissionais que surjam, eventualmente, durante a sua formação.

 

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