Entrevista: Cláudia Costin fala sobre os rumos da educação no Brasil

Marcelo Lima

Cláudia Costin conversa com o nosso blog sobre as tendências educacionais e os maiores desafios a serem enfrentados pelas diferentes instituições de ensino e por seus gestores

Quem é Cláudia Costin?

Cláudia Costin é diretora do Centro de Excelência e Inovação em Políticas Educacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e possui uma vasta experiência de atuação no setor educacional, no Brasil e no exterior. Ela foi ministra durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, além de ter sido diretora global de Educação do Banco Mundial e professora no mestrado da Universidade Harvard, nos Estados Unidos.  

Em entrevista para o blog da Quero Educação, ela apresenta o seu olhar sobre a educação brasileira, assim como as perspectivas sobre o futuro do setor. Além disso, ela aponta os desafios que o poder público e os gestores precisam enfrentar para promover e assegurar a qualidade de ensino no país.

Cláudia Costin em imagem de perfil fala sobre os desafios da educação no Brasil

Q.E: Qual a sua percepção acerca da construção de prioridades na administração pública brasileira no que diz respeito à educação?

C.C: Acho que a gente começa agora a olhar para prioridades, porque administrar é olhar para elas frente aos recursos que nós dispomos e, ao mesmo tempo, pensar grande, construindo políticas públicas que tenham continuidade, mesmo em momentos de instabilidade. Uma dessas prioridades é educar sobre a educação na primeira infância. Olhar para a primeira infância é importante do ponto de vista de equidade, de diminuir as desigualdades no país. Deve-se, também, corrigir a atratividade baixa da carreira de professor, porque, dentre outros fatores, o salário também não é chamativo. É necessário profissionalizar mais o professor e isso demanda um esforço fiscal de estados e prefeituras. Sei que essa não é exatamente a realidade das privadas, mas isso afeta, inclusive, as particulares. 

Q.E: E que caminhos devemos cursar para um contexto mais positivo para o professor?

C.C: Nós temos um risco enorme na forma como a sociedade trata os professores. É a ideia de que o professor é alguém de quem a gente deve ter pena. Isso não deveria acontecer, ele é um profissional que deve ter orgulho das suas boas práticas. Conheço professores de escolas diferentes, inclusive em áreas muito desafiadoras do país, que fazem um excelente trabalho dentro das condições que eles têm. É importante trabalhar a profissionalização do professor, no sentido de, não só oferecer salários mais atrativos, mas tratá-lo como o profissional merece ser tratado.

Q.E: Como a senhora vislumbra a educação brasileira em um futuro próximo?

C.C: Eu acho que o futuro da educação vai ser muito diferente do que é hoje. A gente olha para as tendências da educação no mundo, por exemplo, e vê que os países mais avançados tecnicamente e economicamente têm colocado um foco muito grande em resolução colaborativa de problemas com criatividade. Acho que a educação brasileira também terá que seguir esse caminho.

Com o apoio de tecnologia, como a existente em plataformas adaptativas que já estão se desenvolvendo em startups, nós podemos voltar a ser o que se tinha quando a educação não era, sequer, escolar. Antes, preceptores sentavam-se diretamente com o aluno. Conhecia-se a necessidade desse aluno para fazer com que ele crescesse. Outra questão que é uma tendência importante no mundo é a flexibilização dos currículos e a promoção de interdisciplinaridade.

Q.E: Pensando na inteligência artificial, quais desafios essa educação, cada vez mais tecnológica, impõe à gestão educacional?

C.C: Primeiro, é importante lembrar que a tecnologia pode ser uma bênção, mas pode ser uma maldição também. Ela pode ser uma bênção no sentido de que é um instrumento que, bem elaborado, apoia o bom professor. Contudo, também pode levá-lo a uma acomodação. Afinal, ensinar a pensar demanda um professor muito bem formado. Ele pode ter um roteiro estabelecido, por exemplo, em uma plataforma de aulas digitais. Contudo, ele vai ter que, junto dos alunos, raciocinar usando o ferramental daquela ciência. Então, é bastante trabalhoso.

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Q.E: Que mensagem a senhora transmitiria para gestores educacionais de instituições privadas brasileiras para um melhor processo de gestão educacional?

C.C: Quando a gente educa um jovem ou um adulto, a gente está formando uma nova geração que precisa ajudar a construir um país melhor. A minha geração construiu algumas coisas importantes, mas deixou de fazer muitas outras. O Brasil é hoje um país de grandes desigualdades e elas  geram e fomentam a violência. A gente reclama muito que a violência clama por uma política de segurança mais efetiva. Contudo, não basta política de segurança, senão a gente fica só enxugando gelo. Precisamos construir uma sociedade mais coesa, mais integrada no mundo e mais desenvolvida. Ao fazer isso, mudamos de patamar. Isso passa pela educação pública e pela privada. A responsabilidade não é só das famílias, mas também dos gestores educacionais.

Cláudia Costin de vestido xadrez e segurando um microfone em palestra entende que a educação depende de família, escola e gestores

Sala de Estudos

Para saber mais sobre Cláudia Costin, acesse outra entrevista em vídeo feita para o Sala de Estudos, projeto da Quero Educação. Clique AQUI. Por lá também é possível encontrar entrevistas muito reveladoras com outros pesquiadores, professores e políticos sobre a educação brasileira.

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Entrevista: Cláudia Costin fala sobre os rumos da educação no Brasil

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