Curso online: o guia para instituições de ensino

Patrick Caldas

Veja um passo a passo para incluir a criação de um  curso online em sua estratégia de captação de alunos

No mundo offline é muito mais difícil ter o alcance desejado. Afinal,  há um número restrito de pessoas que você pode receber em sala de aula. Mas os limites são quase inexistentes quando pensamos em distribuição de conteúdo online.

A forma mais eficiente de mostrar ao mundo (ou melhor, ao seu público) as virtudes de sua instituição de ensino se dá via cursos, não é mesmo?

Neste artigo, listamos as etapas necessárias para criar um curso online. Assim é possível captar alunos de maneira eficiente, utilizando poucos recursos, gerando credibilidade para sua IE e, quem sabe, até uma receita complementar.

 

Planejamento

Determine o público

Que idade têm? Em que etapa da jornada acadêmica eles se encontram? Quais são seus interesses, comportamentos e dores? Antes de começar a traçar as diretrizes do seu curso, é fundamental montar — e conhecer muito bem — o perfil da sua persona.

Você quer conversar com alunos do ensino médio interessados na área de humanas e por isso vai criar cursos introdutórios de comunicação ou psicologia? Você quer atingir jovens que já estão matriculados em sua IE, mas precisam de formação complementar? Ou talvez queira atingir pessoas já formadas que buscam uma pós-graduação.

Planeje o conteúdo e os formatos

Com base no público-alvo estabelecido, faça o desenho instrucional do curso e o programa de cada módulo, com os tópicos a serem passados. A partir disso caberá definir os formatos e materiais utilizados. Vídeos são o carro-chefe do ensino à distância, mas eles serão compostos por uma animação? Uma facilitação gráfica ou slides com voice-over? Um professor falando diretamente para a câmera?

Para cada escolha, é importante observar quais recursos serão necessários. Atente-se também à duração de cada aula: a atenção de um aluno costuma ser retida por menos tempo no computador do que em sala.

Escolha a plataforma

  1. Plataformas já existentes: diversos marketplaces permitem às universidades disponibilizarem seus cursos online. O ITA, por exemplo, tem diversas aulas no Coursera. Embora as instituições do Brasil não tenham uma presença tão marcante nas listas de EAD, o público brasileiro está presente em massa. Outra opção é subir os vídeos em um canal do YouTube (como também faz a USP), Vimeo ou plataformas específicas para e-learning. É interessante  realizar experimentos por esses locais a fim de medir o potencial dos cursos antes de fazer investimentos altos.
  2. Plataforma própria: ter seu curso integrado ao seu site é uma ótima alternativa para seu reforço de marca. Contudo, também faz-se encessário um sistema de gestão (LMS – Learning Management System) que sustente o gerenciamento dos arquivos, dos alunos e das interações com eles. A boa notícia é que muitas empresas já provêm esse serviço e você não precisa se preocupar com o desenvolvimento da tecnologia.

Planeje os custos

Tenha um orçamento da sua produção e assim saberá também se terá condições de oferecer um curso gratuito ou se ele deverá ser pago.

Caso seja necessário precificá-lo, considere o perfil do seu público, o mercado em que a universidade está inserida e observe o que estão fazendo seus concorrentes.

No entanto, é importante lembrar que os MOOC (Massive Open Online Course, ou Curso Online Aberto e Massivo em tradução livre) são comuns entre IES brasileiras e internacionais. Eles permitem compartilhar conhecimento sobre os quais a faculdade tem domínio, de forma gratuita ao público, agregando valor a ele e, portanto, alcançando mais pessoas.

Desenhe sua campanha de divulgação

Se as aulas estão prontas, chegou a hora de contar ao mundo (ou melhor, novamente, ao seu público). Para tanto, confira nosso artigo sobre marketing educacional . Com ele é possível aprimorar o uso dos canais certos e criar a melhor comunicação online para seu novo curso.

Como entregar conteúdo que vale ser assistido

Demonstre autoridade no assunto

Faça uma introdução que inclua o currículo da pessoa que esteja conduzindo ou facilitando as aulas e mencione, também, suas credenciais na descrição escrita. Preferencialmente, cite situações em que esse conhecimento tenha sido aplicado na vida real e que resultados esta aplicação trouxe.

Tais medidas ajudam a conquistar credibilidade e despertar o interesse dos alunos desde o início. Sempre que possível, mencione também cases e exemplos que ajudem a tangibilizar o tópico para a audiência e demonstrar sua relevância.

Seja dinâmico

O processo instrucional na vida real é totalmente diferente do computador. Por isso, prender a concentração do aluno em um contexto estático tem seus desafios e exige mais esforços.

Para começar, a linguagem visual conta muitos pontos. Ter apenas uma câmera apontada para o professor em frente ao quadro negro é receita para que o aluno se distraia e vá parar na redes sociais. Aposte em um jogo de câmeras mais movimentado, intercalação de vídeos curtos, longos e outros formatos de conteúdo na tela.

Tenha certeza também de que a linguagem utilizada é adequada para o público com o qual você estará lidando. Ainda que piadas e gírias deixem a comunicação mais descontraída,  é preciso cuidado para que ela permaneça natural. Traga também histórias, analogias e perguntas que façam o estudante “virar a chave” de seu processo de aprendizagem interno e reter informações com mais facilidade.

Ofereça materiais complementares

Assim como em sala de aula, o aluno vai querer conteúdos que acrescentem ao assunto, auxiliem sua pesquisa pessoal para atividades, ou momentos de troca com demais participantes.

Por isso, apresente slides, PDFs, podcasts e vídeos de outras fontes em uma sessão de links relacionados a cada aula. Envie e-mails com artigos por onde eles possam discutir tópicos em voga ou abra um fórum interativo próprio para o curso.

Faça verificações periódicas

É difícil saber se o aluno está aprendendo quando não é possível analisar sua expressão em aula. E mesmo que fosse, provas e trabalhos nunca foram totalmente dispensáveis de disciplinas universitárias.

Em plataformas de e-learning, também é viável (e recomendado) aplicar testes e exercícios. Eles não precisam valer pontos, necessariamente, mas ajudam o próprio estudante a verificar o quanto ele está realmente absorvendo.

Ofereça certificado de conclusão

Este costuma ser um atrativo enorme para estudantes, e um importante fator de decisão caso seu curso seja pago. Certificados o ajudam a turbinar o currículo ou a ganhar horas complementares em outras instituições. Também não é má ideia ter o nome da sua universidade presente nesses espaços.

Gere engajamento

Além dos materiais complementares, diversas ferramentas podem ser utilizadas para manter o aluno próximo e conduzi-lo até o final das aulas. Por exemplo:

 

  • Realizar videoconferências e webinars com convidados especialistas no assunto, permitindo perguntas ao vivo;
  • Fazer plantões de dúvidas de tempos em tempos para que estudantes em qualquer etapa do curso possam ter suas questões respondidas pelo professor/facilitador;
  • Ter chats e fóruns ativos na plataforma do curso para trocas com o professor/facilitador ou entre alunos;
  • Criar um sistema de gamificação que dê pequenas recompensas e gere uma competição saudável entre os participantes;
  • Enviar e-mails para turmas indicando oportunidades, conteúdos, ou incentivando a finalização do curso (para aqueles que tenham-no interrompido).

Independente do recurso escolhido, saiba qual o momento de cada aluno para garantir que a comunicação seja oportuna e os ajude, de fato.

Para lembrar

Cursos online não só podem contribuir para sua estratégia de captação de alunos, como gerar mais credibilidade para sua instituição de ensino. Durante o planejamento e a criação, não se esqueça destes pontos-chave:

  • Saiba muito bem com quem está falando. Conhecer seu público definirá toda a estrutura pedagógica do curso, incluindo formatos, linguagem, canais de divulgação e até orçamentação;
  • Há diferenças fundamentais entre o mundo real e as especificidades do ensino online. Incentive o aluno e retenha sua atenção oferecendo conteúdos complementares, dinamismo e variação de métodos;
  • Se não quiser depender exclusivamente da autodisciplina do aluno, busque diferentes formas de gerar engajamento e encorajar a conclusão das aulas.

Agora que você já sabe o que avaliar antes de criar um curso online, aprofunde-se no assunto baixando o nosso e-book

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Curso online: o guia para instituições de ensino

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